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Smiles & Tears

Guia de sobrevivência para mulheres fantásticas

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Cambalhotas cerebrais.

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No outro dia perguntaram-me por que razão não tenho publicado neste nosso blog.

Não respondi ....não sabia bem porquê. Mas fiquei a pensar naquela pergunta. Gosto tanto de escrever. Tenho a mania de opinar sobre tudo, até demais por vezes. Sou curiosa, tento estar actualizada.Temas não faltam, Então que maleita tão grave seria esta ?

Mergulhei no meu íntimo e esquartejei a minha alma até que ... EUREKA ! Diagnostiquei a minha maleita impeditiva da escrita: cambalhotas cerebrais !

Isso existe ? Sei lá, em mim existe. É mais ou menos assim: o meu cérebro parece uma tômbola, de vidro, daquelas onde se metem imensos papeis. Depois, roda-se e roda-se, abre-se a pequena porta e retira-se um dos papeis.

O que eu fiz foi colocar demasiados papeis. Como sou curiosa, por vezes patologicamente curiosa, dedico-me simultaneamente a vários temas : saúde, escola, exames e manuais, leis, sociedade, pintura, astronomia, crochet, cozinha, "cenas de adolescentes", maquilhagem e outras coisas giras, espiritualidade e desenvolvimento pessoal, e mais, mais, mais ..... Tentem lá manter um cerebrozinho funcional com tanta assimetria ? Eu cá não sou capaz ... Foi então que percebi que não escrevia nada porque tinha tanta coisa para dizer e não sabia por onde começar. Tantos assuntos tão interessantes e tinha de escolher só um ? Que injustiça ... que tédio.

Então, como eu não me decidia a abrir a pequena porta e a retirar o papel que me daria o tema eleito, o meu cérebro continuava a rodar, qual tômbola descontrolada, girando em torno do seu eixo. E como se para? Ainda estou para descobrir o tratamento para as cambalhotas cerebrais. Ora aí está. Que bela ideia, mais um tema para a tômbola: cambalhotas cerebrais - diagnóstico e tratamento.

Estou oficialmente a precisar de férias !!

 

Esfoladelas na alma ..

Desde que a vida me deu dois ou três pontapés, daqueles de doem, fiquei diferente. Principalmente quando são daqueles pontapés acompanhados de rasteiras, em que caíamos e podemos demorar a erguer. Ou nunca. Passei a valorizar os dias que me são oferecidos, a abraçar o privilégio de viver com saúde e rodeada de quem se gosta.

Este ano, e porque fui presenteada com mais um pontapé, fui de férias ainda mais grudada nos momentos e nas pessoas. E fui sem saber se era apenas uma rasteirita, daquelas que dá para continuar só com os joelhos esfolados, ou daquelas em que se vomita e nos cai o cabelo.

Fui ainda com mais vontade, e mais feliz. Quis aproveitar tudo .....não se sabe o dia de amanhã....

E logo no primeiro dia de férias, foi-me dada a conhecer uma jovem de vinte e poucos anos. Bonita, morena e de sorriso fácil. Ria muito, abraçava mais ainda e passava o dia a dar pinotes. E fazia quimioterapia, lutava contra um cancro há oito anos. Punha extensões no cabelo e atava-o com fitas, ninguém notava que todos os dias lhe caía mais um pouco. Vomitava escondida entre as sebes floridas.

Nos dias seguintes em que lhe admirei a coragem, talvez até tenha sentido um pouquinho de inveja da leveza com que dava pinotes, eu soube que a minha rasteira era muito mais pequena que a rasteira dela. A minha só esfola os joelhos .....

E senti-me grata... Também me senti minúscula perante a grandeza daquela jovem.

Deixei-lhe algo meu e selámos a nossa amizade num abraço terno de despedida.

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